Para além da operação de resgate, a reconstrução da vida de sobreviventes do trabalho análogo à escravidão requer acolhimento, garantia de direitos e acompanhamento especializado. Nesse sentido, o diálogo com as Universidades é essencial para aprimorar técnicas de atuação e apoiar a formação de novos profissionais, preparados para os desafios contemporâneos.
A partir dessa perspectiva, o Projeto Ação Integrada RJ participou de duas ações acadêmicas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) nesta quarta-feira (27), que propuseram discussões com pesquisadores e estudantes sobre a importância do atendimento pós-resgate a pessoas submetidas ao tráfico humano para fins de trabalho análogo à escravidão.
A psicóloga Yasmim de Menezes, convidada pelo Grupo de Pesquisa em Trabalho Escravo Contemporâneo (GPTEC), vinculado ao Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos Suely Souza de Almeida (NEPP–DH), integrou a terceira aula do projeto de extensão “Ecos que Libertam: Comunicação e Visibilidade Social no Combate ao Trabalho Escravizado Contemporâneo”.
A atividade de capacitação, aberta para o público geral e transmitida ao vivo pelo YouTube, destacou o papel das redes de apoio e das políticas voltadas à promoção da dignidade no trabalho para o êxito do atendimento psicossocial de vítimas submetidas a essas práticas.
O evento, coordenado pela Prof. Dra. Marcela Soares, também contou com a participação da Coordenadora do Núcleo Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP-RJ), Julia Kronemberger. A assistente social pontuou a importância de ações conjuntas interinstitucionais e as responsabilidades da Comissão de Enfrentamento (CETP/COETRAE-RJ) na solução de demandas e na articulação de rede para o atendimento pós-resgate.
A transmissão está disponível no canal do NEPP-DH no YouTube.
Capacitando novos profissionais
Ainda na mesma data, as assistentes sociais Débora Alves e Ivana Silva foram recebidas pelo Prof. Dr. Ricardo Rezende, uma das maiores referências no estudo do trabalho escravo contemporâneo em todo o Brasil, para uma aula especial do curso de Serviço Social.
Trinta alunos do terceiro período da graduação puderam conhecer mais sobre o trabalho da Cáritas RJ no atendimento a migrantes e refugiados, por meio do Programa de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Refúgio (PARES Cáritas RJ), e no acompanhamento psicossocial de pessoas resgatadas de trabalho escravo, por meio do Projeto Ação Integrada/Programa de Atendimento a Resgatados de Trabalho Escravo (PARTE Cáritas RJ).
Esse foi o quarto convite direcionado ao Projeto Ação Integrada RJ para a participação em iniciativas acadêmicas na UFRJ, tendo já integrado atividades para os cursos obrigatórios e eletivos da Escola de Serviço Social em 2024 e 2025.
