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I Seminário da Cáritas RJ sobre o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas capacita 60 profissionais no Rio de Janeiro

Informação é o primeiro passo para o enfrentamento ao tráfico de pessoas. O segundo é a mobilização social. Partindo desse princípio, a Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro promoveu, na última quarta-feira (29), o seu primeiro seminário sobre o combate ao tráfico de pessoas, na Glória. A iniciativa, promovida em alusão ao Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, reuniu 60 participantes, entre advogados, assistentes sociais, pedagogos, profissionais de saúde, lideranças e membros de pastorais da Igreja Católica.

Na programação, o evento contou com três mesas de debates entre especialistas e representantes de instituições que atuam no enfrentamento ao crime no estado do Rio de Janeiro, como o Ministério Público do Trabalho, a OAB-RJ e coletivos sociais. Entre apresentações e materiais audiovisuais, a ação buscou conscientizar os inscritos sobre os riscos do tráfico de pessoas e orientar sobre as formas de prevenção.

I Seminário da Cáritas RJ para o enfrentamento ao Tráfico de Pessoas

A mesa de abertura apresentou o trabalho de 57 anos da Cáritas RJ na defesa dos direitos humanos, propondo conversas entre o diretor-presidente Monsenhor Manoel Manangão; a assistente social do Vicariato Episcopal para Caridade Social, Manoela Demétrio; a coordenadora do ProjAI/PARTE, Débora Alves; e a coordenadora da Integração Social do Programa de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Refúgio (RJ), Karla Ellwein.

Em seguida, o evento propôs um encontro entre diferentes agentes formadores para chamar atenção ao conceito de tráfico de pessoas e o papel das instituições no combate ao crime. O diálogo, composto por José Agripino da OAB-RJ e pelo professor da UFRJ, Dr. Ricardo Rezende, reforçou a importância dos valores de solidariedade e fraternidade na defesa de direitos e o engajamento que os governos, profissionais de advocacia e estudantes precisam ter na erradicação.

I Seminário da Cáritas RJ para o enfrentamento ao Tráfico de Pessoas

Já na terceira mesa, intitulada “Proteção, acesso à Justiça
e reconstrução de trajetórias”
, os participantes destacaram experiências e
desafios da fiscalização e do acompanhamento pós-resgate, chamando atenção para a importância do trabalho de assistência e de acompanhamento dos
sobreviventes de uma situação de tráfico humano. Nesse sentido, o trabalhador
resgatado do Sudeste Asiático, Fabiano Maia, trouxe um depoimento emocionante sobre o formato do aliciamento e o seu processo de recomeço no Brasil.

I Seminário da Cáritas RJ para o enfrentamento ao Tráfico de Pessoas
A mesa de debates foi composta pela assistente social Vanessa Ceccatto; a coordenadora do NETP-RJ, Julia Kronenberger; o trabalhador Fabiano Maia; e o Procurador do MPT-RJ, Thiago Gurjão.

Para a psicóloga social Juliana Lugarinho, mediadora de um dos debates, o evento representou uma oportunidade de ampliar a prevenção de forma facilitada.

“É muito importante conversar sobre esse tema com a população, para aproximar as pessoas da realidade. O tráfico de pessoas é um fenômeno real que atinge muitos brasileiros que buscam uma vida melhor em outras cidades ou países. Por isso é importante que a população saiba reconhecer para denunciar”, afirma.

I Seminário da Cáritas RJ para o enfrentamento ao Tráfico de Pessoas


A atuação da Cáritas RJ contra o tráfico humano

No Rio de Janeiro, o Projeto Ação Integrada, integrante do Programa de Atendimento a Resgatados de Trabalho Escravo (PARTE Cáritas RJ), é responsável pelas ações de assistência pós-resgate a pessoas submetidas ao trabalho análogo à escravidão, uma das principais finalidades do tráfico humano. Há mais de 10 anos, a iniciativa, fruto de uma parceria entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Cáritas RJ, oferece atendimento social e psicológico gratuito às vítimas e as apoia em sua reinserção social e no mercado de trabalho.

Desde 2023, o programa registra sucessivos recordes no número de atendimentos realizados. Somente em 2025, a instituição contabilizou mais de 3.900 atendimentos e acompanhou 126 trabalhadores resgatados de situações de trabalho análogo à escravidão ou submetidos a vínculos laborais precarizados. Desse total, 64 casos apresentavam indícios explícitos de tráfico de pessoas, o que aponta a permanência dessa grave violação de direitos humanos, ainda invisibilizada.

Dados do Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas 2025 reiteram a dimensão dessa problemática. O documento revelou que o número de brasileiros vítimas de tráfico de pessoas no exterior cresceu 33% em relação ao ano anterior, sendo o Camboja o principal país de destino das vítimas, concentrando 52% dos casos registrados. No cenário nacional, o cenário permanece de difícil mensuração devido às diferenças percentuais entre as bases de dados disponíveis. Ainda assim, o Ministério Público Federal (MPF) investigava, em 2025, cerca de 1.400 casos de tráfico de pessoas no Brasil, segundo informações divulgadas pela CNN Brasil. 

O I Seminário da Cáritas RJ integra as ações da instituição no mês de Julho, somando-se às iniciativas da Campanha Coração Azul contra o Tráfico de Pessoas.

I Seminário da Cáritas RJ para o enfrentamento ao Tráfico de Pessoas

Rafael Vasconcelos

Writer & Blogger

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