“A arte é uma coisa imprevisível, é descoberta, é uma invenção da vida”, dizia o poeta maranhense Ferreira Gullar. O autor defendia que, por meio da arte, seria possível reinventar a vida, sublinhar novos caminhos, reforçar a consciência e o pensamento crítico, e acima de tudo, vislumbrar novos horizontes possíveis.
Inspirado nessas premissas, o Projeto Ação Integrada realizou, no Mês Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, uma atividade em parceria com o Centro do Teatro do Oprimido direcionada à experimentação artística de 16 pessoas resgatadas de trabalho escravo no estado do Rio de Janeiro.
A oficina “Vozes em Cena contra a Escravidão” partiu da metodologia do Teatro do Oprimido para fortalecer a autonomia, fomentar a expressão verbal e corporal dos participantes, e auxiliar no processo de superação de traumas de trabalhadores resgatados, por meio de propostas de atuação coletiva. O evento integrou o programa de ações de conscientização sobre a temática do combate à escravidão contemporânea, previsto pelo Projeto Ação Integrada para o ano de 2026.
A vivência, conduzida por Nilaisa Luciano e Raquel Dias, profissionais do Centro do Teatro do Oprimido, contou com a participação ativa de trabalhadores e seus acompanhantes, que, por meio de jogos teatrais e dinâmicas em grupo, foram estimulados a combater situações de opressão e a refletir sobre o exercício de direitos. A proposta teve o objetivo de construir um espaço seguro para a partilha de vivências e para o fortalecimento da autoestima dos participantes.
“A atividade do Teatro do Oprimido com trabalhadores resgatados de trabalho escravo que atendemos contribui com nosso acompanhamento psicossocial, pois auxilia, através de exercícios e técnicas na conscientização, a tomada de consciência sobre a situação vivenciada de escravização”, diz Vanessa Ceccatto, assistente social do Projeto Ação Integrada.
O Teatro do Oprimido
Fundado em 1986, o Centro de Teatro do Oprimido (CTO) nasceu como um espaço dedicado à pesquisa, ao desenvolvimento e à difusão do Teatro do Oprimido. Desde sua criação, a instituição atua por meio de laboratórios e seminários permanentes voltados à revisão, experimentação, análise e sistematização de exercícios, jogos e técnicas teatrais, consolidando-se como referência nacional e internacional na área.
O Teatro do Oprimido, utilizado como instrumento de reflexão e transformação social, propõe metodologias e processos estéticos e políticos voltados à identificação, investigação e representação das opressões vividas no cotidiano, estimulando a consciência crítica e a busca por caminhos concretos de superação das injustiças. Por meio de práticas pedagógicas, o CTO busca promover o diálogo ético e participativo entre grupos historicamente oprimidos e a sociedade organizada.
Abertura
O evento também contou uma mesa de abertura composta por duas convidadas especiais que atuam no campo da defesa dos direitos dos trabalhadores na cidade do Rio: Maria Izabel Monteiro, Presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Rio de Janeiro, Secretária de Formação Sindical da FENATRAD e Diretora Plena da CUT-RJ; e Elisiane dos Santos, Procuradora do Trabalho do MPT-RJ.
