Entre linhas, tecidos e saberes ancestrais, comunidades quilombolas reafirmam o pertencimento em suas tradições. No mês de janeiro, 20 mulheres quilombolas das comunidades de Rasa, Botafogo e Maria Joaquina concluíram a formação profissional em Costura Básica para Produção, resultado de uma iniciativa do Projeto Ação Integrada desenvolvida em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT-RJ) e a FIRJAN Cabo Frio.
O curso, com duração de três meses, contou com aulas semanais organizadas por profissionais do SENAI e realizadas no território do Quilombo de Maria Joaquina, em Cabo Frio. Durante o programa, as participantes tiveram acesso a conteúdos teóricos e práticos voltados à costura, incluindo noções técnicas, uso de máquinas, acabamento e organização do trabalho, além de tópicos de empreendedorismo e desenvolvimento humano.
A iniciativa faz parte da estratégia do Projeto Ação Integrada para o fomento de oportunidades de trabalho decente e para o fortalecimento de iniciativas de economia solidária de povos quilombolas do estado do Rio. O programa, intitulado “Quilombo Fazendo Moda”, teve o foco voltado à qualificação profissional para a geração de renda de mulheres quilombolas da Região dos Lagos.
“O Quilombo Fazendo Moda é um projeto de prevenção ao trabalho escravo contemporâneo, pensado e executado junto com o Quilombo de Maria Joaquina. Aquela escravidão colonial, abolida formalmente em 1888, perdurou nesse território até o final do século XX. Hoje, a comunidade enfrenta a precarização do trabalho, com experiências de desemprego, empregos com longas jornadas e baixos salários, sofrimento de injúria racial, ameaças, e falta de acesso às políticas públicas, como o direito à terra. O fortalecimento da comunidade através da economia solidária e do resgate de práticas de trabalho ancestrais tem como resultado mais consciência crítica, melhores condições de trabalho, de geração de renda, e impactos positivos na saúde mental”, afirma Yasmim de Menezes, psicóloga responsável pela iniciativa.
Além da capacitação técnica, o curso também abordou a importância da autonomia econômica das participantes e a valorização dos saberes tradicionais presentes nos territórios quilombolas.
Evento de formatura
A entrega dos certificados foi realizada em um evento simbólico, que contou com o lançamento de uma exposição inédita, composta por 20 fotografias das alunas vestidas em suas produções autorais. Para Jane Oliveira, liderança do Quilombo de Maria Joaquina, a formação trouxe um passo importante para a reunião das mulheres em comunidade.
“Um coletivo de mulheres é terapia, é cuidado, é amor. O curso trouxe união entre nós, melhorou a nossa organização comunitária, já que estávamos juntas toda semana aqui, aprendendo e produzindo. E agora, vamos seguir nesse caminho”, completa.





